sábado, dezembro 31, 2011

Brace yourselves, winter is coming.


  E foi assim que terminou mais um ano. Sei que houveram momentos em que todos nós pensamos que nunca chegaríamos a este ponto, mas aqui estamos. Standing still, standing proud. Deveríamos todos tirar um momento para reflectir, e lembrar desde o início. Das expectativas para este ano que defraudamos e não conseguimos atingir, da dieta que nunca começou, do ginásio ao qual nunca metemos lá os pés, da Primavera que foi cruel, dos amores que nos deixaram, das amizades que mudaram de lados, do Verão que passou demasiado depressa,  dos projectos que ficaram a meio, das ideias escrevinhadas no papel que nunca chegaram a concretizar-se, do Outono que trouxe a rotina, do Inverno que nunca realmente chegou. Um momento de silêncio pelo que aprendemos, por iniciativa ou à força, um minuto de silêncio por quem nos deixou, voluntária ou involuntariamente, há que fazer uns minutos de silêncio pela nossa perda de inocência, pelo que o tempo, a vida nos fez, nos faz, e para sempre continuará a fazer. É mesmo assim que se dança este tango.  
   Após tanto, aqui estou eu, nós.  Porque é verdade o que eles dizem, o que não nos mata, deixa-nos mais fortes. Ou, no meu caso, deixou-me mais estranha e cicatrizada.

P.S.: Sou oficialmente uma senhora pertencente ao mundo laboral. Um minuto de silêncio pelo enterro da minha imaturidade. Ou como a T. diz, dois minutos ou três.

Boas entradas! E arrasem com tudo! :)

Íris de Morais.


"Whatever doesn't kill you, 
is gonna leave a scar"

terça-feira, dezembro 27, 2011

"From young, we were taught how to love, but not how to stop"

"We suffer because our demons are better
company
than the people we call friends
and the nights that are
spent tearing hair out and
Shedding tears
are more comforting than those 
where
we suffocate
in darkness and solitude."



"A pill to make you numb ,
 a pill to make you dumb, 
a pill to make you anobody else"

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Last year's wishes are this year's apologies.

"People were always sorry. Sorry they had done what they had done, sorry they were doing what they were doing, sorry they were going to do what they were going to do; but they still did whatever it is. The sorrow never stopped them; it just made them feel better. And so the sorrow never stopped."
 (Ian Banks)




"Sleep from all your pain
your apple has been rotting
tomorrow's turned up dead"

terça-feira, dezembro 20, 2011

Happy holidays! :)


E se alguém quiser fazer o obséquio de me oferecer algo, 
aqui vai uma sugestão:

Para toda a gente por aí, boas festas! :)
Íris de Morais.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

It's real for us.

   E para terminar este ano de dolores, calúnias e calores derivados das minhas patetas paixões, enclausuro-me nas minhas paredes cor-de-rosa, e relembro um pedacinho da minha infância, que nunca deixei de parte. Acho que é mesmo esta faceta imprudente minha, de querer ser fada Sininho e fugir para a Terra do Nunca. E para quem nunca leu a saga do Harry Potter (QUE VERGONHA!) e para quem traz o livro cá dentro, acompanhem-me nesta minha (quiçá) última aventura à minha juventude, enquanto releio a minha saga predilecta.


   Para mim, o Natal é sinónimo de Harry Potter. Foi à muitos, muitos anos atrás, que recebi a minha cópia da "Pedra Filosofal", e as minhas irmãs receberam o segundo e terceiro livro da saga, respectivamente. Os meus livros de J. K. Rowling foram sempre adquiridos em Dezembro, quando há energia no ar, que nos aquece e mantém atentos apesar do frio que vem com o final do ano. E, mesmo não sendo uma pessoa de (seguir as) tradições, tenho sempre estes hábitos e manias que trago desde sempre, e não pretendo mudar. Logo, passo estes meus dias com a caneca quente ao lado, deitada enroscada no calor, onde não me fazem mal (pois não me conseguem tocar), a torcer pela intemporal batalha, e à espera que a coruja me venha trazer a tão aguardada carta (deve-se ter perdido pelo caminho, obviamente). 


Íris de Morais.





(A canção é dos 30 Seconds to Mars, e chama-se "This is war")




"Besides, the world isn't split up into good people and death eaters. 
We've all got both light, and dark inside of us. 
What matters, is the part we choose to act on."

terça-feira, dezembro 06, 2011

I wonder what you think when you see me. Or hear my name.


  "Foi o cadáver envolto num lençol, e transportado ao convés.
   Mariana seguiu-o.
   Do porão da nau foi trazida uma pedra, que um marujo lhe atou às pernas com um pedaço de cabo. O comandante contemplava a cena triste com os olhos húmidos, e os soldados que guarneciam a nau, tão funeral respeito os impressionara, que insensivelmente se descobriram.
   Mariana estava, no entanto, encostada ao flanco da nau, e parecia estupidamente encarar aqueles empuxões que o marujo dava ao cadáver, para segurar a pedra na cintura.
   Dois homens ergueram o morto ao alto sobre a amurada. Deram-lhe o balanço suficiente para o arremessarem longe. E, antes que o baque do cadáver se fizesse ouvir na água, todos viram, e ninguém já pôde segurar Mariana, que se atirava ao mar.
   À voz do comandante desamarraram rapidamente o bote, e saltaram homens para salvar Mariana.
   Salvá-la!...
   Viram-na, um momento, bracejar, não para resistir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços. O comandante olhou para o sítio donde Mariana se atirara, e viu, enleado no cordame, o avental, e à flor da água, um rolo de papéis, que os marujos recolheram na lancha. Eram, como sabem, a correspondência de Teresa e Simão."


in Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco


"Don't give me Love, I've had my share"

sábado, dezembro 03, 2011

Sleep is the cousin of Death.

"Os amantes aparecem no Verão, quando os amigos partiram
para o sul à sua procura, deixando um lugar vaso
à mesa, um bilhete entalado na porta, as plantas,
 o canário, um beijo e um livro emprestado: a memória
das suas biografias incompletas. Os amigos

desaparecem em Agosto. Consomem-nos as labaredas do sol
e os amantes que chegam ao fim da tarde
jantam e de manhã ajudam a regar as raízes das avencas
que os amigos confiaram até Setembro, quando regressam

traem saudades e um romance novo debaixo da língua.
Levam um beijo, os vasos, as gaiolas   e os amantes
deixam um lugar vago na memória, cabelos na almofada,
uma carta, desculpas, e um livro de cabeceira que os 
amigos lêem , pacientes, ocupando o seu lugar à mesa."

Maria do Rosário Pedreira, in A casa e o cheiro dos livros.



"I wanna watch you burn, you're gonna get what you deserve, you'll never learn" 

sexta-feira, dezembro 02, 2011

I feel like shit, and all I can do ... is feel it.

"Escolheram ser outras pessoas. E, quando dizem mar,
têm olhos subitamente azuis e fazem gestos
que lembram o balanço das ondas junto ao porto.

Gritam todas as noites o que não ousariam murmurar
pela manhã na intimidade do quarto - porque na sua boca
remexem duas línguas e uma delas só a reconhecem
do espelho onde já viram desfilar todos os rostos.

Deixam-se coroar por um halo de luz branca
que os persegue e já os atraiçoou de outras vezes.
E comportam-se como pequenos deuses efémeros, sujeitos
às conspirações de uns poucos homens que podem,
com a mesma mão, oferecer-lhes a taça e o veneno - 
dobram-se para merecer o seu aplauso ou a sua compaixão.

Depois o pano cai. Vão para casa. E são outras pessoas."

Maria do Rosário Pedreira, in A casa e o cheiro dos livros




‎"Time to change has come and gone, watched your fears become your god,
It's your decision, it's your decision"

quinta-feira, dezembro 01, 2011

One of us cried.

"Ela não pediu esse silêncio. Mas também nada fez
para defender-se dele ou dominá-lo. Quando entrou,
a casa tinha-se calado de repente, as coisas dele
tinham mudado de lugar, desaparecido, e não importava
que tivesse sido ela própria a escondê-las, de véspera,
na arca das lãs que só voltaria a abrir no inverno.

Ela não quis conhecer esse silêncio. Soube apenas
que não voltaria a ouvir a voz dele
no espelho do seu quarto - a outra voz.

Sentou-se no chão e abriu um pequeno livro de capa azul.
Naquele fim de tarde, só mesmo os livros podiam dizer
algo mais que o silêncio - essa outra voz."

"Outra Voz", Maria do Rosário Pedreira in A casa e o cheiro dos livros



‎"They say every man goes blind in his heart.
And they say everybody steals somebody's heart away
And I've got nothing more to say about it, nothing more than you and me" 

quarta-feira, novembro 30, 2011

Good intentions, bad decisions.

"Tardávamos diante das palavras, como se os olhos
fossem cegar sobre as páginas que não acabávamos
de ler só para fazer durar o engano, o livro, o tempo
de todas as leituras. Guardávamos silêncio

à cabeceira. E cruzávamos de noite os dedos
à procura da luz que emanasse de um seio, da onda
do cabelo sobre a orelha, dos ombros, da cintura,
do começo dos lábios. Normalmente, achávamos apenas
a sombra da roupa na curva dos joelhos, a penumbra
entre os nossos corpos quietos e deitados.

É nas linhas das mãos que os deuses escrevem
os mais belos romances. Nas nossas, porém, somente
elaboraram um divertimento, um esboço, um rascunho,
nem sequer literatura."

"34", Maria do Rosário Pedreira, in A casa e  o cheiro dos  livros


"Chapter one again, here I go again. 
I found a fountain of youth and I fell in 
How could I ever win? I'll never learn"

sexta-feira, novembro 25, 2011

Now you're just somebody I used to know.



"Guardava alguns silêncios e também as coisas
que não dissera por acaso. Guardava agora também
esses acasos, brancos recados entre as palavras
que lhe sobravam nas gavetas. E ainda assim guardaria 
para sempre essas palavras, ou a imagem de lábios a 
dizê-las - um rosto ainda sem ser triste lembrando o verão.

Teria aguardado esse verão, o cheiro quente dos morangos
à beira dos dedos. E tê-lo-ia sobretudo guardado,
como guardava agora, sem nunca o ter ouvido, o som
das espigas, na planície, à passagem do vento.

Mas agora só podia aguardar a passagem do tempo
sem palavras; ou um vento de feição, um acaso
que tudo justificasse. E no silêncio em que se ia guardando
buscava apenas um lugar mais sereno para as memórias." 

Maria do Rosário Pedreira, in A casa e o cheiro dos livros.



"You sit there in your heartache waiting on some beautiful boy
To save you from your old ways. You play forgiveness
Watch it now- here he comes
He doesn't look a thing like Jesus, but he talks like a gentlemen
Like you imagined when you were young"

quinta-feira, novembro 24, 2011

I'm not heartless. I just learned how to use my heart less.


"Afasto as cortinas devagar; e, atrás dos vidros, acordo
o silêncio de um muro de granito onde já não se demora
a luz. Lembro-me sem querer de ti e convoco as memórias
de um quarto antigo para não repetir o que os livros
diriam sempre de outro modo. Contemplo a surda vegetação

da sombra, os pequenos animais à deriva, a noite rasgada
ao meio dos gumes da lua. Aguardo provavelmente o teu
 regresso, embora secretamente. Mas o que acode à janela

é uma impressão luminosa e fria que desfigura o olhar e
 dá das coisas apenas metades imperfeitas ou estilhaços
que lembram a arquitectura da poeira sobre as baías.

A sabedoria é um gomo amargo que se consome junto aos
lábios. Ainda que quisesse murmurar o teu nome, como
o sol a morder os pátios de manhã, calo-me para sempre.
Esqueço-me talvez de ti, embora secretamente."

Maria do Rosário Pedreira, in A Casa e o Cheiro dos Livros.





R.I.P. Jeff Buckley.

terça-feira, novembro 22, 2011

People will never stop disappointing you. To be happy, you have to learn how to forget.

"There are days when solitude is a heady wine that intoxicates you with freedom, others when it is a bitter tonic, and still others when it is a poison that makes you beat your head against the wall." 
(Colette)


"Antiga 
cantiga 
da amiga 
deixada. 

Musgo da piscina, 
de uma água tão fina, 
sobre a qual se inclina 
a lua exilada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
chamada. 

Chegara tão perto! 
Mas tinha, decerto, 
seu rosto encoberto... 
Cantava — mais nada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
chegada. 

Pérola caída 
na praia da vida: 
primeiro, perdida 
e depois — quebrada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
calada. 

Partiu como vinha, 
leve, alta, sozinha, 
— giro de andorinha 
na mão da alvorada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
deixada. "

"A amiga deixada", Cecília Meireles.



O triste realizar, que nunca poderemos ver este homem a cantar esta canção ao vivo.
Nem esta, nem outra qualquer. 
R.I.P. Jeff Buckley.

domingo, novembro 20, 2011

I hate that you seem perfectly fine without me.

"Your memory is a monster; you forget - it doesn’t. It simply files things away. It keeps things for you, or hides things from you - and summons them to your recall with will of its own. You think you have a memory; but it has you!" (John Irving)

"Basta-me um pequeno gesto, 
feito de longe e de leve, 
para que venhas comigo 
e eu para sempre te leve. . . 

— mas só esse eu não farei. 

Uma palavra caída 
das montanhas dos instantes 
desmancha todos os mares 
e une as terras mais distantes.. 

— palavra que não direi. 

Para que tu me adivinhes, 
entre os ventos taciturnos, 
apago meus pensamentos, 
ponho vestidos noturnos, 

— que amargamente inventei. 

E, enquanto não me descobres, 
os mundos vão navegando 
nos ares certos do tempo, 
até não se sabe quando... 

— e um dia me acabarei. "

"Timidez",  Cecília Meireles.



"Could I see it? - Did I hear it?
Maybe I should love less, maybe I should trust less
I don't love this - Loveless"

quarta-feira, novembro 16, 2011

Being sad with the right people is better than being happy with the wrong ones.







Definitivamente, uma das minhas canções favoritas.


Sim, é claro,
O Universo é negro, sobretudo de noite.
Mas eu sou como toda a gente,
Não tenha eu dores de dentes nem calos e as outras dores passam.
Com as outras dores fazem-se versos.
Com as que doem, grita-se.
A constituição íntima da poesia

Ajuda muito…
(Como analgésico serve para as dores da alma, que são fracas…)

Deixem-me dormir.

Álvaro de Campos.

domingo, novembro 13, 2011

There was a difference between what you said and what you did.



"Ninguém abra a sua porta 
para ver que aconteceu: 
saímos de braço dado, 
a noite escura mais eu. 

Ela não sabe o meu rumo, 
eu não lhe pergunto o seu: 
não posso perder mais nada, 
se o que houve já se perdeu. 

Vou pelo braço da noite, 
levando tudo que é meu: 
— a dor que os homens me deram, 
e a canção que Deus me deu." 

"Assovio", Cecília Meireles.



"Largaram-me a mil metros do chão,
Largaram-me porque me agarrei numa alucinação de vida
Que me enchia o coração
E que agora vejo perdida, num cair que já não sei"

sábado, novembro 12, 2011

Easy come, easy go.

Existe uma diferença abissal entre ultrapassar as nossas dores e, simplesmente, sobreviver às situações que nos marcam.




"Ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça: inútil dormir que a dor não passa.
 Espere sentado ou você se cansa. Está provado, quem espera nunca alcança."

sexta-feira, novembro 11, 2011

I care(d).

Por mais que eu diga que a perda é dele, 
lá no fundo, 
eu sei que também é minha. 






"I'm becoming a monster, just like you
After it all you'll try to break me too
Falling forever, chasing dreams
I brought you to life so I can hear you scream"